PENSAMENTOS DA ‘SANTA’ IZABEL
“Amizade é como flor de trepadeira: faz-se um suporte e ela cresce viçosa”. (Caderno Azul, Pensamentos em Torno da Amizade, nº 1, novembro 1987)
“A verdadeira amizade não se comprara a um cabide de sala, onde colocamos o casaco surrado; mas é como o armário no interior do quarto, onde guardamos, à chave, os nossos mais belos vestidos”. (Caderno Azul, Pensamentos em Torno da Amizade, nº 2, novembro 1987)
“Amizade deve ser como o mel que adoça, alimenta e revigora! Em excesso pode se tornar repugnante. Deve ser sorvida aos poucos e devagar”. (Caderno Azul, Pensamentos em Torno da Amizade, nº 3, novembro 1987)
“Quando penso na amizade, lembro-me das joias e pedras mais preciosas, as quais conservamos com zelo e carinho. As falsas são como pedrinhas de miçangas, só servem para tapear as retinas dos olhos”. (Caderno Azul, Pensamentos em Torno da Amizade, nº 4, novembro 1987)
“Cada rosa tem seus espinhos. Cada espinho traz sua dor. As rosas são lindas. Cada pétala supera a maldade de cada espinho. O perfume sobrepuja a dor que elas provocam. E eu quero formar o meu roseiral”. (Caderno Azul, Roseiral, 27/02/1984)
“Deseja alguma coisa difícil? Não bata o pé e nem aponte o dedo. Faça raciocinar a cabeça”. (Caderno Azul, Provérbios de Santa Izabel, nº 1, 18/11/1987)
“Sonhe. Mas mantenha os olhos abertos. Conserve a cabeça abaixo das nuvens. E deixe que os pés pisem o chão estratificado”. (Caderno Azul, Provérbios de Santa Izabel, nº 2, 18/11/1987)
“Faça seus licores naturais. Se a taça for de vidro, não se preocupe. Admita-a. Se souber beber e esperar, um dia terá taças de cristal”. (Caderno Azul, Provérbios de Santa Izabel, nº 3, 18/11/1987)
“Já vesti chita e já vesti seda. Fez diferença o intento? Nenhuma, absolutamente”. (Caderno Azul, Provérbios de Santa Izabel, nº 4, 18/11/1987)
“Cantei música clássica, mas também cantei sertaneja. É difícil dizer qual foi mais significativa. em cada ambiente, um ritmo e um estilo”. (Caderno Azul, Provérbios de Santa Izabel, nº 5, 18/11/1987)
“Faço comida e escrevo enredos. Que mãos são mais importantes. Tanto faz...” (Caderno Azul, Provérbios de Santa Izabel, nº 6, 18/11/1987)
“Gosto de pensar num chá preto em xícaras de porcelana. Nunca fui dada ao luxo, mas sempre apreciei a porcelana. Principalmente as finas xícaras, aquelas de chá, com florzinhas avermelhadas. Acho requintadas. Um dia terei algumas dessa peças. E oferecerei às minhas amigas em tom de requinte”. (Caderno Azul, Xícaras de Porcelana, 04/01/1984)
“Das duas, uma. Ou estou construindo uma casa de João-de-barro ou então uma caixa de maribondo. Maldade no coração não carrego. Nem vontade de ferroar os outros. Pelo contrário, quero ser boa, amável, afável, dócil e carinhosa. Agora, uma casinha de João-de-barro seria um lugar aprazível, cheio de amor e ternura. Casinha como essa, só no céu...” (Caderno Azul, João-de-barro ou caixa de maribondo, 22/04/1986)
“O perdão custa caro mas compensa .eu acho o que você precisa se perdoar primeiro. Depois não terá dificuldades em perdoar os outros. Talvez leve tempo. É como se uma ferida fosse curada lentamente, com pomadas de bálsamos e não com antibióticos injetáveis.” ((Izabel de Alcântara Guimarães, “No Covil das Raposinhas”, 1991, p.130).
“O melhor livro é aquele que a gente escreve com a vida. Somos livros ambulantes. Nossa capa deve ser bonita, no entanto, o conteúdo deve ser de tal modo que não venhamos a envergonhar o nome de Cristo”. (Izabel de Alcântara Guimarães, A Filha do Rei, 1985, p.137)
“A literatura é a arte mais melodiosa que há, pois pode tocar no silêncio de um quarto escuro. Pode tocar na serenidade de um lago, na praia à beira-mar. Pode tocara na imensidão da abóbada estrelada, na beleza colorida de uma flor, no sabor congelado de um sorvete, na doçura de um cacho de uva e no brilho furta cor das pedras preciosas. Isso sem falar nos raios do sol e no luar. A literatura é uma arte que engloba todas as artes. Fala da poesia, da música, da pintura, teatro, escultura e culinária. Escrever é compor uma peça. É pintar um quadro. É plantar flores em forma de parágrafos. É esculpir uma estátua, desenhar um perfil. E é preparar uma torta ou um saboroso manjar”. (Izabel de Alcântara Guimarães, A Filha do Rei, 1985, p. 183).
“E como sal qual tem sido a sua ação? Você tempera, dá sabor agradável, preserva, cura ou evita infecções, alimenta, provoca sede de Jesus nos outros? Ou você está no saleiro sem atividade e sem função alguma? Há crentes que estão no saleiro, viram pedras e perdem o valor porque não saem de dentro das quatro paredes. Para que o sal exerça a sua função é preciso que seja retirado do saleiro”. (Izabel de Alcântara Guimarães, “No Covil das Raposinhas”, 1991, p.191).
